Pensamentos de 26/01/2006

Doutor Fulano de Tal?

Faz algum tempo que um sujeito carioca resolveu processar o condomínio onde mora porque o porteiro não o chamou de "doutor". O tal sujeito é um Juiz de Direito...

A sentença, antiga, diz que...
“Doutor” não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário.

Constitui-se mera tradição referir-se a outras pessoas de “doutor”, sem o ser, e fora do meio acadêmico. Daí a expressão doutor honoris causa — para a honra —, que se trata de título conferido por uma universidade à guisa de homenagem a determinada pessoa, sem submetê-la a exame. Por outro lado, vale lembrar que “professor” e “mestre” são títulos exclusivos dos que se dedicam ao magistério, após concluído o curso de mestrado.
Para corroborar ainda mais essa decisão, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) deve publicar na próxima quinta-feira (26/11) uma resolução que impede um médico de se identificar como Doutor, exceto se tiver, realmente, o título acadêmico de Doutor.

Segundo uma nota em Jurid Digital:
A resolução destaca que o uso do título de doutor, em relação ao diplomado por qualquer curso de nível superior, constitui uma praxe "secularmente fundamentada nos costumes e na tradição brasileira", mas ressalta que não existem preceitos legais que disciplinem a concessão do título de doutor. E que em razão da tradição e da universalização dos cursos de nível superior no País, "todo profissional adota a prática e o direito de usar o título de doutor, banalizando e vulgarizando esta identificação".
No Orkut há várias comunidades que discutem o uso do "doutor" por quem não é doutor, principalmente advogados. Algumas mensagens chegam a ser hilárias... A maior parte dos argumentos favoráveis está apoiada num Decreto Imperial de 1º de agosto de 1825 (!) que institui o curso de ciências jurídicas no Brasil. Segundo o blog do Tulio Vianna
Tiraram do baú uma norma com 200 anos de história para justificarem o “dr.” antes do nome… Querem ser doutores nem que seja por decreto!
A maior parte dos Doutores (com título) que eu conheço faz questão de não ser chamada de Doutor Fulano de Tal; a maior parte dos doutores que não tem o título, faz. Engraçado...

4 comentários:

Anonymous VCBC falou...

Muito legal seu blog meu mestre, sobre esse post, to contigo e não abro.
Abraço

27/01/06 01:19  
Anonymous Anônimo falou...

Todo mundo vai virar o mesmo pó um dia, a terra é a mesma para todos. Quer saber? Tem gente que se preocupa demais com coisa que, na real, não tem valor algum.
A dor...
A falta de fé...
A doença...
A solidão...
A morte...
Ser doutor não resolve nada.

- Bia Kunze

27/01/06 22:14  
Blogger dclobato falou...

Eu também acho que título não representa muita coisa no "mundo real". É claro que, no mundo acadêmico ou na industria, o "Dr" antes ou depois do nome pode acabar implicando em um dinheirinho a mais no final do mes, mas isso nao faz o sujeito melhor ou pior que os outros.

saude,
daniel

28/01/06 10:58  
Blogger Orlando Furioso falou...

Aí é que são elas...
Pessoalmente, considero que "Dr." é um título para quem defendeu uma tese de impacto perante uma banca. Um médico estuda 6 anos, mais 2 de residência, mas alguma coisa de especialização, etc... Um advogado nem tudo isso. Já um Dr. no sentido acadêmico, lá vão 4 anos de estudo na graduação, possivelmente mais 2 no mestrado, e mais 2 a 4 anos para se doutorar. E a banca de doutorado não é mansinha, não... Há que se ter algum valor, né?

21/10/08 14:45  

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